sábado, 18 de junho de 2011

Aquele que tem nome de SANTO'


Não, eu não acho que a carreira do nosso ídolo maior se resuma a uma quadra de momentos espetaculares. Muito pelo contrário, a carreira do Marcão é uma constelação de milagres e glórias que precisaríamos de centenas de palavras pra contar tudo que o Santo já fez de espetacular por ai... Quando o Santo Parar, um dia igual a 06 de junho de 2000 dificilmente se repetirá. Vamos aqui tentar a difícil tarefa de recontar a história que todo palmeirense conhece de cor e salteado. Uma semana antes, iniciava-se o segundo duelo do século, Palmeiras e Gambás em um mata-mata pela Libertadores. Em 99, eliminamos a gambazada nas quartas-de-finais do torneio, a cereja do bolo que foi a conquista da América. E lá estavam os sarnentos de novo à nossa frente, dessa vez pelas semifinais do torneio sul-americano. E o time da gambazada era só badalação. Havia ganhado o torneio danoninho em janeiro, que eles insistem em chamar de “Mundial” (e que não passou de um Mundialito, como bem explicou Roberto Carlos – nada mais do que um desafio de futsal ou algo que o valha). E era o time bi-campeão brasileiro, em cima dos dois mineiros moribundos e com muito auxilio do apito, como sempre. Mas era um time forte, formado por Dida, Fabio Luciano, Rincon, Ricardinho, Marcelinho, Luizão, Edilson... Do nosso lado, além do Santo no gol, contávamos com Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Galeano e Alex; Pena, Marcelo Ramos e Euller. E no banco, Felipão. Que não se conformou com a injusta derrota sofrida na primeira partida, por 4×3. O preto e branco não foi proposital, mas deu um ar de emoção... No vestiário, sobrou pro capetinha e pra “porra do Corinthians”: O Palmeiras precisava ganhar de pelo menos 1 gol de diferença, pra forçar a disputa de pênaltis. Ia enfrentar o maior rival valendo uma vaga na final da Libertadores e em desvantagem. Mas, aqui é Palmeiras! Começa o jogo e, numa bola do Junior, sobrou pro Euller fazer Palmeiras 1×0. Do outro lado do campo, o Santo ajoelha no gramado e levanta as mão ao céu, como se soubesse o que o destino lhe reservara para mais tarde naquela noite. Aos 40 do primeiro tempo, depois de muito pressionar, sempre parando nas mãos do Santo, Luizão empata pros Gambás, de cabeça. As coisas começavam a se complicar pro Verde. E logo no começo do segundo tempo, num chute da entrada da área, Luizão venceu de novo o Santo. Fechou a fatura? Nunca! O Palmeiras foi pra cima e, numa pintura de Alex, um dos segundos gols mais bonitos de sua carreira em Palestra Itália, empatou o jogo. O Palmeiras apertava e os Gambás batiam. Até que, aos 25, numa falta cobrada por Alex, Galeano virou pro Verdão. Um gol daqueles meio espíritas, numa bola que estava quase fora do campo, pra lavar a alma do palmeirense, pra tremer a gaiola das loucas. E fomos para os pênaltis. De novo, pelo segundo ano seguido, decisão de Libertadores contra os Gambás nos pênaltis. No ano anterior, Vampeta e Dinei perderam, mas chutaram pra fora, o Santo não tinha feito nenhuma defesa. O Palmeiras iniciou a série e fez o primeiro, e o Corinthians empatou. E assim ocorreu até o quinto pênalti. Marcelo Ramos, Roque, Alex, Asprilla e Junior haviam convertido suas cobranças contra Dida. Foi então pra cobrança Marcelinho. Marcos havia pulado o primeiro pênalti, de Ricardinho, pra esquerda. Os outros três, pulou no seu canto direito, sem sucesso. Marcelinho ajoelhou, daquele jeito ridículo que ele sempre fazia, e arrumou a bola. Tomou distância. Voltou pra bola e a ajeitou novamente. Parecia tentar ganhar tempo pra descobrir como vencer o maior goleiro de todos os tempos. Preparou-se pra bater e, naquele momento, a Terra parou de girar, como se todas as pessoas prendessem a respiração naquele mesmo instante... Silêncio ensurdecedor... Bola chutada forte a meia altura, no canto direito do Santo que, num vôo impossível pra qualquer humano, se lançou na direção daquela maldita pra defender a penalidade e mandar o Gambá pra casa... No mesmo impulso, o camisa 1 (numeração obrigatória dos titulares era de 1 a 11) se levantou com os braços pro ar e correu em direção à bandeirinha de escanteio, finalizando com o peixinho mais lembrado de toda a história do futebol, bem em frente à galinhada.

 Ser Santo tem dessas coisas. Marcos havia tomado 6 gols em 2 jogos e em menos de uma semana. De quebra, o Palmeiras ainda havia sido eliminado pelos Sardinhas da semi-final do Paulista, mais 3 gols. Nove gols em uma única semana jamais foram compatíveis com a carreira do maior goleiro do Mundo. Os incrédulos não botavam mais fé nele, talvez por conta do segundo gol sofrido naquela partida, quando a bola passou por debaixo do Santo. Mas, nem por um momento, o palmeirense duvidou que fosse das mãos de São Marcos que sairia a classificação e a eliminação dos Gambás. Era como tinha que ser, do pé do mais odiado pras mãos do mais amado. Simplesmente épico inesquecível. Um verdadeiro milagre, desses que só o Santo faz que continue sendo lembrado pelo palmeirense como se fosse o primeiro título de janeiro de 1915, que será contado de pai pra filho sempre que, daqui há 30 anos, visitarem o busto de São Marcos de Palestra Itália nas alamedas da Sociedade Esportiva Palmeiras.Coisa que dificilmente veremos, quando o Santo parar. AVANTI PALESTRA! AVANTI SÃO MARCOS DE PALESTRA ITÁLIA!

Quando o Santo Parar vamos sentir muitas saudades do seu bom humor e do jeito de levar a vida de forma positiva. Sim. Como todo palestrino, Marcos tem seus dias de fúria, em especial quando o time não corresponde em campo, ele é o primeiro a querer pegar jogador vagabundo pelo colarinho. Ou então sai correndo pro gol adversário aos 29 do segundo tempo, pra tentar fazer o gol de cabeça que o time precisa.


Mas o que vamos sentir falta mesmo é do seu jeito simples que encanta a todos e a forma de contar as histórias engraçadas do elenco e da sua vida. Quando o Santo parar, dificilmente viveremos um dia como 30 de maio de 2001.Na partida de ida pelas quartas-de-finais da Libertadores de 2001, o Palmeiras de Celso Roth e o Cruzeiro de Felipão empataram em 3×3. Lopes, o Tigrão, fez 3 naquele jogo. Foi lá o Palmeiras pro Mineirão precisando vencer. Mas logo aos 6 minutos, Alessandro manda bola indefensável pro Santo, 1×0 Cruzeiro. E assim acabou o primeiro tempo, com o Perrela tentando invadir o campo e tal… No segundo tempo, numa cobrança de falta de Arce, o Palmeiras empatou. Pra logo depois ver o Cruzeiro desempatar, também num lance de falta, gol do Cris de cabeça, outra vez sem chances pro Marcão. E o Palmeiras teve calma pra chegar ao empate e levar a decisão para os pênaltis. Falta batida pelo Chique, cabeçada certeira de Alexandre (o próprio) pra deixar tudo igual. Aos 40 do segundo tempo. E lá foi o Santo pra baixo do gol do Mineirão. Alex bateu e perdeu. Galeano bateu e perdeu. Felipe bateu e perdeu. Sobrou pro Santo, que pegou o primeiro. Pegou o segundo. E teve a estrela de ver batido pra fora o quinto e último pênalti da série do Cruzeiro, pelo ex-palmeirense Jackson, que teria liquidado o jogo se fosse convertido. Nas cobranças intercaladas, o Santo operou novo milagre: defendeu o terceiro pênalti da noite (de novo do lado direito), o quarto a não entrar no seu gol. E Munhoz bateu o seu, firme e forte no ângulo direito do goleiro André, despachando no Mineirão o Cruzeiro do Felipão. Mais um milagre do Santo, operado no dia 30 de maio de 2001. Momento que dificilmente veremos outra vez, quando o Santo parar! AVANTI PALESTRA! AVANTI SÃO MARCOS!
Triste será pra gente. O dia que Marcos parar, vou gostar menos de futebol. Uma parte de mim vai parar junto dele. Pelo menos até o dia em que um novo Santo surja, se é que isso é possível. Que venha vestir nossa camisa por mais de 500 vezes, por 18 anos seguidos sem nunca ter pisado profissionalmente em um gramado que não fosse com o escudo do Palmeiras no peito ou para servir a seleção. Quando o Santo parar, não se verá mais um dia como 12 de maio de 2009. O Palmeiras já tinha sido considerado eliminado da Libertadores 2009 antes mesmo do término do primeiro turno da fase de grupos. Uma campanha ruim dava a impressão, pros incrédulos da imprensa, que o Palmeiras não passaria nem da primeira fase do torneio, o que seria uma vergonha inaceitável pra gente. E a recuperação do Palmeiras se iniciou contra o Xpouti, na Ilha do Retiro, com vitória verde. Faltava uma vitória e lá foi o Palmeiras pro Chile pegar o Colo-Colo, time em que o Mago jogou. Vitória que saiu nos minutos finais, dos pés de Cleiton Xavier, do meio da rua… E lá vinha de novo o Xpouti no nosso caminho, pelas Oitavas de Finais da Liberta. No primeiro jogo, 1×0 pro Palmeiras (jogando com um a mais), gol de Ortigoza, em jogada de bola parada. No jogo da volta, o Palmeiras jogava pelo empate. Chega o dia do grande jogo, o Palmeiras com chance de retribuir a eliminação pro Xpouti na Copa do Brasil de 2008. Ao invés de jogar bola como vinha fazendo, o Palmeiras se retraiu demais e deu chance pro Xpouti atacar e chegar na cara do gol uma, duas, três vezes, isso só nos primeiros minutos de jogo. Mas o Santo estava inspirado. Um milagre atrás do outro. Pegou pelo menos seis bolas impossíveis. Só uma, indefensável, passou. Iríamos ter pênaltis. Marcos chamou o grupo antes das cobranças e disse: Agora é comigo. E foi mesmo. Das 4 cobranças dos pernambucanos, o Santo catou 3, antes de correr pra bandeira de escanteio ao lado direito de seu gol, onde se encontrava a eufórica torcida palmeirense que acabara de testemunhar mais uma obra miraculosa do Santo.

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