Como já disse eu me preparava para as dores que iria ter que passar, mas a cada derrota, por menos insignificante que fosse pra mim não era, eu derramava toda minha frustração e meu desespero, por várias vezes pensei que a culpa seria minha e não dos jogadores, como se existisse culpa em uma derrota, o melhor em campo ou o que ‘paga mais’ vence, simplesmente naquele jogo, uma eliminação em que não me recordo o Palmeiras não tinha mais combustível, nem mais estrada. Eles não jogaram mal, mas cada jogo perdido eu julgava ter sido uma péssima partida dos jogadores, parecia que viraram as costas para nós, torcedores. E eu, curvada, amparada no sofá da sala, demolida, ‘pela primeira vez’, e então eu e a TV, um de frente pro outro, com a cabeça abaixada, não queria deixar que vissem meu rosto, estava espantada por presenciar a minha primeira derrota como torcedora de verdade, eu ficava quieta, sem pensar, mas sentindo, de repente veio uma calma, nenhuma desgraça aconteceu, não taquei coisas, não bati portas, apenas chorei, quanto tempo faz desde aquela noite? Parece que foi ontem.
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